Nada menos que antológica a cerimônia de abertura dos Jogos Pan Americanos do Rio de Janeiro no Maracanã. Músicas escolhidas a dedo, pinçadas de nosso riquíssimo acervo. Ouviu-se muito chorinho, samba, Pixinguinha, Ari Barroso, Villa-Lobos, Tom Jobim. Artistas respeitáveis como Elza Soares, Chico César, Arnaldo Antunes e Adriano Calcanhoto se apresentaram, assim como os talentosos e emergentes Céu e Cordel do Fogo Encantado. Teve também a internacionalmente conceituada OSB nos momentos orquestrais. Ótimo. Não houve espaço para presepadas. Apostaram na música verdadeiramente representativa do Brasil. E aí a alma carioca foi materializada no espétaculo. Assim como a brasileira. Tudo combinado com impactantes e criativos efeitos visuais. Destaque para a praia e mar criados em pleno estádio, enquanto Céu, em pessoa, cantava "Wave" em uma versão que repaginou a original
Abstraiamos, as possíveis, digamos, "falhas", detectadas na organização do Pan. O fato é que fiquei surpreso com um espetáculo que em nenhum momento gerou tédio (mesmo nos discursos virtualmente protocolares, como veremos adiante). Foi comparável à abertura das Olimpíadas de Moscou em 1980. Uma das mais memoráveis cerimônias esportivas já organizadas. Uma festa que homenageou personalidades realmente admiráveis e exemplares, que sempre primaram pela ética e pelo olimpismo, como Vanderlei Cordeiro de Lima e Joaquim Cruz.
Falando nisso... Ou melhor, falando no contrário disso.... A cereja do bolo ficou por conta do "Nosso Guia" (crédito a Elio Gaspari, ou seria ao Ministro de Relações Exteriores?), mais conhecido como Presidente da República Federativa do Brasil, ou simplesmente o bom e velho Lula. As robustas e reiteradas vaias que recebeu quando seu nome foi anunciado por autoridades esportivas foram de lavar a alma. Devem continuar ecoando em seus ouvidos até agora. Geraram quebra de protocolo sem precedentes. Quem sabe ele não busca algum conforto pelo constrangimento com seus conselheiros do deserto de isolamento que é Brasília? O próspero pecuarista e presidente do nosso fulgurante Senado, o ilustre Renan Calheiros, talvez. Ou até mesmo os velhos companheiros mensaleiros que tanto protegeu, ou então Dirceuzinho ou Marta "Relaxa e Goza" Suplicy. Enfim, os apupos foram um complemento saboroso para um prato refinado.