Esse álbum, recentemente lançado por Panda Bear, alter ego de Noah Lennox, integrante do Animal Collective, promove uma viagem psicodélica, calcada na sonoridade dos Byrds e mais flagrantemente nos Beach Boys. Talvez por este fato, apesar de seus experimentalismos, tenha um viés "ensolarado". A influência da música oriental também é patente. A primeira faixa "Comfy in Nautica" lembra um mantra lancinante.São apenas sete canções e algumas delas ultrapassam os dez minutos de duração. Aliás, não sei se seria apropriado falar em canção no sentido estrito da palavra. Fiquei com a impressão de que na verdade a intenção é apresentar painéis sonoros. Há uma linha mestra musical que é sobreposta por intervenções de ruídos e de instrumentos que tomam a linha de frente. Os vocais adocicados e assobiáveis ficam freqüentemente em segundo plano. São parcialmente diluídos e passam a "pairar no ar", enquanto os outros elementos sonoros prevalecem. Ao final de "Take Pills", por exemplo, a melodia é simplesmente varrida pelo barulho de um vento.
Não é um disco facilmente assimilável e requer concentração exclusiva do ouvinte. É bastante climático e etéreo - e às vezes pode ser cansativo. Parece que tudo foi planejado para soar como a expressão musical de um sonho iluminado e fugaz.
É um dos lançamentos mais perturbadores de 2007, ao lado de "Here We Go Sublime", do The Field e "Volta", de Bjork.
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