
Goldie, o bizarro homem dos dentes de ouro, que já esteve no Brasil há dez anos no finado Free Jazz Festival, lançou em 1995 um dos álbuns responsáveis pela consolidação da música eletrôncia, o antológico "Timeless". Considero esse disco tão importante e influente quanto "Blue Lines" (Massive Attack), "Dummy" (Portishead), "Planet Exit Dust" (Chemical Brothers), "Moon Safari" (Air) ou "Endtroducing" (Dj Shadow), respeitados os nichos/particularidades de cada qual e considerando apenas os beats, samples e loops a irmaná-los. O jungle e o drum'n'bass foram a partir de então catapultados. Suas batidas quebradas e contagiantes ganharam popularidade em pistas de todo mundo e foram adotadas como elementos secundários em músicas de viés mais pop-comercial, impregnando até uma certa bossa nova repaginada num formato mais eletrônico. Outros nomes imprescindíveis nessa cruzada foram Roni Size, responsável pelo clássico "New Forms" de 1997, o sinistro Grooverider, pai das marteladas mais tonitruantes do drum'n' bass, e LTJ Bukem.
"Timeless" foi de tal forma marcante, que o próprio Goldie nos anos seguintes falhou em produzir algo que superasse a sua primeva obra. Parece que o magnetismo dela impediu qualquer avanço posterior significativo. Prova disso foi o que veio em seguida: o disco duplo "Saturnz Return" que em sua despropositada grandiloqüência foi um grande passo em falso. Hoje, Goldie vive num certo ostracismo, sem lançar nada de impactante.
Se "Timeless" é isso tudo, a sua primeira música homônima, uma suíte de prazerosos vinte e um minutos, composta de três passagens, é a sua carta de intenções. A primeira delas, "Inner City Life, é também a mais envolvente. O clima elegante, urbano e noturno, algo espacial, enraizado nas tradições da black music, combinado com os irresistíveis broken beats, não deixa pedra sobre pedra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário