Sou avesso às celebrações passadistas que, vez por outra, cismam em aparecer. Fico incomodado com atitudes e pensamentos que buscam valorizar apenas o passado em detrimento do presente. São muitos os que rejeitam manifestações artísticas atuais sob o argumento de que elas se distanciam dos padrões estéticos pretéritos e não respeitam os cânones do tradicionalismo. Estes, os que tem calafrios diante do novo, até admitem ouvir ou ver uma obra atual desde que seja antiga (em seu caráter).
Por outro lado, também acho detestável o elogio raso do moderno. Como se a última tendência, recém-nascida, fosse o grito de genialidade que soterra tudo o que de interessante se criou. Dentro desse raciocínio, artistas e obras importantes para o desenvolvimento de certa arte são relegados ao limbo. Há os que assim pensam: "Que linguagem datada... O tempo deles já passou! Abram alas para os messias da contemporaneidade!"
Essas duas tendências também são evidentemente alimentadas pela grande mídia em parceria com a indústria do entretenimento, as quais se numa vertente, ao manipularem uma suposta memória afetiva coletiva, estimulam o retorno, não de artistas, mas de produtos (e esse é o termo preciso), em movimento contrário, "criam" outros com um roupagem modernosa, prontos para a conquista de corações, mentes e bolsos dos vanguardeiros de plantão.
E onde eu fico nisso? Não me identifico com nenhuma das duas "correntes". Estou numa zona não identificada? Para os que acreditam em bipolaridades maniqueístas, certamente. Busco não raciocinar em termos simplistas. Tenho a pretensão de querer apagar as fronteiras temporais. Afirmo, portanto, que não rejeito o antigo, e tampouco o novo (e, nem a priori, o que há de vir). Sou capaz de alçá-los à condição de peças fundamentais, que me são indissociáveis, se descubro, se reconheço, se intuo neles a marca do brilho do invento concebido de forma íntegra. E sendo assim, se algo de tal grandeza me é ofertado, por que falar de limites, de grilhões de tempo? O filme, o disco, o livro, a pintura, estarão aferrados à eternidade, superando os conceitos de passado, presente e futuro. E a eternidade paira sobre o tempo que criamos e ao qual devemos obediência.
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