quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Lembranças Musicais

Entre uma curva e outra da estrada, a fita-cassete avançava junto com o Chevette 83, novinho em folha. A viagem fluia bem com aquela, que daquele momento pra sempre, foi e é a sua indissociável trilha sonora. Um cheiro de verde e um gosto de sol confraternizavam com as canções que inebriavam os pais e as crianças do banco de trás. Era uma sensação de vida. Ou melhor, uma certeza.
A cantora fascinava, proclamando: "Sei que nada será como antes, amanhã". Os filhos, cativados com as revelações incomuns aos seus universos, pediram bis. O pai obedeceu, sem pestanejar. Ouviram a moça repetir que queria uma casa no campo para compor muitos rocks rurais.
A fita foi tocada e rebobinada algumas outras vezes até a chegada ao destino, numa noite iluminada. A viagem e suas irmãs, as músicas, nunca acabaram. Estão aí até hoje. A família continua percorrendo o mesmo caminho. E a cantora permance com a mesma incontida emoção: "Para quem quer se soltar/Invento o cais/Invento mais que a solidão me dá".

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