É um grupo formado por jovens músicos de Buenos Aires que busca promover a revitalização do tango. Acabei de ouvir, aliás por duas vezes seguidas, o terceiro disco deles intitulado "Mucha Mierda", inédito no Brasil, e que comprei por plagas portenhas. Excelente. Distante dos clichês que assolam o gênero e conduzem à sua estagnação e, ao mesmo tempo, respeitoso. O som é bastante orgânico e cortante. Os instrumentos duelam criando climas tensos e confrontadores. Aqui não há muito espaço para a faceta melancólica do tango. Muitas vezes parece que os integrantes utilizam-se de levadas próprias do rock, e mais do que isso parecem querer fundir a alma tangueira com a atitude roqueira. Introduzem concepções novas dentro de uma vertente distinta, e a meu ver mais interessante por estar menos explorada comercialmente, daquela adotada por artistas que promovem a mescla com elementos eletrônicos (samples, loops e batidas suaves), em movimento similar ao que aconteceu (e ainda acontece) com a MPB, mais especificamente a bossa nova (vide, por exemplo, Bebel Gilberto e Bossacucanova). Nessa linha recomendo os álbuns de Bajofondo Tango Club, Carlos Libedinsky e Otros Aires. Isso sem falar no europeu e internacionalmente conhecido Gotan Project.
É bom não esquecer também que acima de todos paira a figura inspiradora, e também renovadora no seu tempo, de "São" Astor Piazzolla, valendo lembrar que vários de seus discos foram reeditados na Argentina em edição crítica.
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