terça-feira, 26 de junho de 2007

Gotan Project no Canecão


O Gotan Project proporcionou na última quinta-feira um espetáculo inebriante no Canecão, infelizmente ignorado pelos indigentes cadernos culturais de jornal (a crítica impressa morreu definitivamente por aqui?). A banda franco-argentina, que criou o crossover tango com beats eletrônicos (e foi massivamente copiada posteriormente), subiu ao palco com piano, violinos, cello, bandoneon e violão irmanados com pick ups e parafenália eletrônica. Lançou sobre os espectadores da casa de shows, totalmente lotada, o lirismo e a tradição do tango combinados com levadas de dub e hip hop, samples e batidas sintéticas. Nesse caldeirão o tango saiu valorizado, revitalizado, e não violentado, como alguns puristas podem achar. Nem mesmo o torpor que a lounge music pode por vezes ocasionar, e com a qual o Gotan pode superficialmente ser associado, fez-se presente.

O clima de empolgação foi contínuo. O público urrava, assobiava, aplaudia longamente no final das músicas, gerando um evidente contentamento nos ótimos músicos. As canções, pinçadas dos discos "La Revancha del Tango" e "Lunatico", revelaram-se absolutamente magnéticas ao vivo, talvez por serem ainda mais realçadas pela grande sacada que foi a projeção de vídeos no fundo do palco, que serviam como comentários das mesmas (em "Lunatico", aparece um páreo de corrida em alusão ao cavalo de mesmo nome de Carlos Gardel) ou então como artifício interativo (rappers virtuais projetados que, de forma incrível, dialogam com o que está sendo apresentado no palco e entram rimando no tempo certo da música).

Foi, enfim, uma performance inesquecível de TAN-GO do GO-TAN.

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