A ferrugem é o cancro incessante que estimula a renovação. Uma vez parado você será inclementemente engolido por ela. Essa é a regra enunciada com acuidade pelo mestre Neil Young, não por acaso um exemplo de integridade artística. Aplica-se com exatidão às diversas formas de expressão cultural. É a assertiva básica e ameaçadora que deveria nortear qualquer processo criativo.
Infelizmente, muitos ignoram esse postulado básico, pois não tem qualquer comprometimento artístico. São gestados nos laboratórios das grandes corporações associadas com a mídia de massa tradicional. Não se propõem a um mínimo de esforço criativo, mesmo porque invariavelmente não têm um pingo de talento. Fogem do risco em busca do sucesso fácil. Fórmulas baratas são criadas, exploradas, exauridas e recriadas com uma nova roupagem igualmente ordinária. Outros, que a princípio apresentavam-se como renovadores, entregam-se à estagnação, arriscando muito pouco, ou nada. Nesses casos pode até ser que milhões em dinheiro sejam acumulados, o que poderia em muito compensar esse tipo de empreitada. Mas, por outro lado, às vezes nem percebem, ou percebem, e tem crises existenciais, que estão corroídos. É a ferrugem.
É certo que existe atualmente pouco espaço para criação de algo genuinamente novo, seja na música, no cinema, nas artes plásticas, na literatura, na cultura em geral. Temos a impressão de que tudo já foi explorado e inventado. Mas é fato que muitos artistas se empenham em gerar algo realmente criativo, intrigante e instigante. Podem até errar a mão. Correm riscos. Mas dignificam o que fazem. Trabalham, via de regra, à sombra da mídia massiva e comprometida. A questão é que esta não é mais tão importante hoje em dia. Tvs, rádios e jornais tradicionais, muitas vezes atrelados a interesses inconfessáveis, já não acrescentam muito...Os consumidores de cultura tem hoje outra ferramenta essencial de informação e pesquisa. A Internet. Basta que não sejamos acomodados e não recebamos passivamente informações. Uma simples navegação pode revelar artistas interessantíssimos. Há novidade, há criatividade longe dos refletores. E isso felizmente numa velocidade diretamente proporcional à ferrugem que consome as contrafações que campeiam por aí.
Um comentário:
Fabi, esse seu texto maravilhoso deveria ser amplamente divulgado em sites relativos à música! Tem muita banda horrível fazendo jabá em rádio e o que é realmente bom fica restrito a poucas pessoas que buscam ouvir música de qualidade.
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